uma tarde na fruteira

Experimental pode definir bem uma fase que eu tô passando no momento. Chegou a hora de mudar, chegou a hora de ter de tudo um pouco. Mudei gradativamente minhas preferências, podei amigos desgastados, ouço música cada vez mais normal. Acho que acabou a fase que eu precisava chamar atenção, chegou a hora que eu me importo totalmente comigo, sem pensar nem um pouco no próximo. Nunca foi tão indiferente saber de um evento que todos consideram importante, nunca foi tão fácil não ir a uma festa na qual todos aqueles que passaram tanto tempo com você vão. Numa conversa que tive em janeiro com o Kauê, lembro de ter comentado que era bom cuidar de mim, que era bom ter tanto poder sobre a minha vida, mesmo isso sendo totalmente solitário. Só agora percebi que talvez aquilo não fosse totalmente verdade, que ainda faltavam coisas aqui e ali pra que essa liberdade conquistada fosse totalmente atuante. Alguns pensamentos ruins tem passado pela minha cabeça, talvez por influência alheia, talvez não. A questão é que João está mais adulto que nunca.

18 anos se passaram, completos, para que houvesse essa epifania de compreensão de maneira (não tão) súbita. De alguns poucos dias pra cá, fui movido pela triste música de Yoñlu, um garoto de 16 anos que se suicidou em 2006 ao se trancar no quarto com duas churrasqueiras acesas. Ouço muito Nirvana, e isso me acalma mais do que o normal, mas ao mesmo tempo é assustador pensar que as músicas mais importantes no momento pra mim sejam obras que saíram de surtos criativos da cabeça de dois suicidas. O pensamento suicida não passa pela minha cabeça. Mas inexplicavelmente eu entendo a tristeza que talvez passava pela cabeça deles, pois consigo compreender totalmente a música. Pensamento cínico, esse. E provavelmente errado.

Gostaria de saber se estou verdadeiramente errado. Escutem e me digam se compreendem. Por favor, digam que sim ):