Há alguma coisa nos Arctic Monkeys que os fazem serem mais respeitados do que os hypes anteriores (e os próximos). Algo sobre eles serem espelhos de uma juventude apenas retratada pelo seu espírito festivo e perdido. Ninguém, pelos menos nos últimos anos, ousava cantar sobre um dia normal de maneira extremamente descritiva. Ninguém conseguia encontrar maneiras criativas de reviver as guitarras desde 2001, com o surgimento dos Strokes. E, finalmente, ninguém ousava ser tão chato visualmente uma vez no olho do furacão. Bem, eles fizeram essas três coisas e deram, pelo menos, mais dois anos de bandas inspiradas para a mídia inglesa.Uma vez Arctic Monkeys, bem sucedidos comercialmente e criticamente, eles ganharam fôlego para serem quase autônomos dentro de uma grande gravadora. Após trabalharem três faixas do seu álbum, eles tiverem o privilégio de lançar um EP de inéditas, e um ano depois, o sucessor do já sucesso. E satisfatoriamente eles não se limitaram à sua coleção de discos do Strokes e Vines; no B-side de "Leave Before the Lights Come On" eles gravaram "Baby, I'm Yours" de Barbara Lewis e samplearam Ennio Morricone em "505".
Porém, há um fator que nem a mais bem sucedida das bandas pode controlar: seus fãs. Como dizer que você não é mais aquela banda de rock energética, quando é isso que o te fez ser um fenômeno? Bem, você não diz. Você apela para um projeto paralelo. E dessa necessidade de demonstrar sua paixão (ainda é muito cedo para dizer amor) pela música dos anos 60, Alex Turner saiu da banda por um tempo e criou o Last Shadow Puppets, com seu amigo e companheiro de turnês Miles Kane (Ex-Little Flames e atual Rascals).
No entanto, diminuir as doze faixas de The Age Of The Understatement a um trabalho paralelo é menosprezar muito o excelente trabalho criado pelo talentoso quarteto. Quarteto porque tão importante quanto a dupla prodígio do indie rock inglês, está a produção e a bateria de James Ford, do Simian Mobile Disco, e os arranjos clássicos de Owen Pallett, do Final Fantasy e Arcade Fire.
Basicamente pop melódico sessentista, o álbum não inova em suas fórmulas. Em 2003, bandas como The Coral, Zuttons e, uns anos depois, os próprios Little Flames, fizeram esse estilo popular na Inglaterra. Se há algum elemento extra no LSP é o timbre adolescente de Alex, que por si só rejuvenesce o estilo. Nas letras, o "macaco" abre mão do cotidiano juvenil e passeia por assuntos muito mais densos e, até então, intocados por ele. Como o amor e a desilusão de perdê-lo. Talvez por não se achar experiente com seus 22 anos, a maioria das letras da relação homem & mulher são escritas em terceira pessoa.
"Standing Next To Me" deve ser uma música perdida dos Beatles. Menos de dois minutos e meio de duração, mas com invejável capacidade de ser a música da vida de alguém. Sim, foi uma auto-afirmação minha. É definitivamente a minha música de vida. E quantos artistas conseguem fazer isso hoje em dia? "The Age Of The Understatement" é a definição perfeita de pop épico com sua bateria marchada e violinos afiados.
O vocal de Alex e Miles casa tão perfeitamente que é difícil diferenciar quando é um, quando é outro ou quando os dois cantam juntos em baladas como "The Chamber" e "My Mistakes Were Made For You". Clint Eastwood ficaria orgulhoso da estética faroeste em "Separate And Ever Deadly" e "Only the Truth". Guitarra e bateria transportadas para o meio do deserto americano narrada de forma dramática.
The Age Of The Understatement é um excelente álbum de estréia que, infelizmente, não receberia nenhuma atenção se não fosse criado pelo 'salvador' da música inglesa. Felizmente ele recebeu. E pode reabrir/retirar o saudosismo da melhor época do pop. Quando ele era importante o bastante para marcar as pessoas.
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